Palavra-chave ‘A Tarde’
ARY CARLOS NEGA QUE INPEI TRABALHE PARA O IBOPE
Em contato com o Pimenta, há pouco, o historiador e dirigente do instituto de pesquisas Inpei, Ary Carlos Nascimento, negou que faça trabalhos para o Ibope, conforme nota abaixo veiculada na edição deste domingo na coluna Tempo Presente, do jornal A Tarde. Dentre outras incoerências, ele aponta que a conversa relatada pela coluna se deu no dia 24 e não 18 de agosto. Ele enviou resposta ao editor da coluna.
“Davidson / Ricardo,
Conheçam a resposta que encaminhamos a Levi Vasconcelos. Como vocês estão repercutindo a notícia, peço que publiquem também a nossa resposta.
Caro Levi,
ontem, às 22 horas, recebi um telefonema de um amigo de Jequié, Capitão Edmar Mende, Superintendente Municipal de Trânsito daquela cidade, alertando-me que hoje teria uma “bomba” em sua conceituada coluna. Quem o informou foi o vereador Roberto Pina, um dos cordenadores da campanha de Lúcio [Vieira Lima] e Leur [Lomanto] em Jequié.
Seguindo rotina diária, ao ler o jornal de hoje deparei-me com a nota em epígrafe. Em respeito a você e a seus milhares de leitores, peço retificação conforme relato a seguir:
Encontrei-me com Cláudio e Gama, assessores do deputado Aleluia, na terça-feira, 24.08, às 14 horas, no hangar da AEROSTAR,( e não com Aleluia) e, como ocorre todas as vezes em que nos encontramos, Claudio perguntou-me como estava o quadro político na Bahia, e eu passei as seguintes informações:
1- No decorrer desta semana deveria ocorrer a divulgação de 03 pesquisas A TARDE com VOXPOPULI, rede Bahia com IBOPE e DATAFOLHA e que o resultado seria a consolidação de Wagner na liderança com o índice entre 49 e 50%, e que Geddel e Paulo Souto estariam estáveis. Eu esperava que se Geddel crescesse alguma coisa, seria no eleitorado de Paulo Souto.
2- Informei que minha empresa estava fechando pesquisa em Cachoeira, Paulo Afonso, Itabuna, Vitória da Conquista, Jequié, Feira de Santana e Salvador, e que esta tendência se mantinha. Inclusive afirmei para ele que esperava também um crescimento de Lídice e Pinheiro, e que provavelmente ambos encostariam e posteriormente passariam Cesar Borges. Ainda me comprometi a pedir a meu cliente autorização para passar os dados de Senador em Paulo Afonso e Feira de Santana, onde Aleluia e Zé Ronaldo lideram.
3- Afirmei que, em minha percepção, após Quinta 26, com o comicio da Castro Alves, Wagner passaria de 55% e Geddel e Paulo Souto cairiam. (vamos aguardar). Ainda passei para o Gama e o Cláudio uma análise do quadro das eleições proporcionais e algumas opiniões a nível de Brasil.
4- Nunca fui terceirizado do IBOPE (me honraria muito sê-lo). Porém, faço campo para outras empresas, que o contrato não me permite revelar. Por fim, estamos no mercado há mais de 15 anos, sou um estudioso do cenário político nacional, e as opiniões que emito são baseadas neste contexto.
Com tudo isto, percebe-se a intenção de criar factóide político, no momento de revés. Lamento ter partido tal informação do Deputado Aleluia, pessoa com quem trabalhei na COELBA, tenho grande apreço e admiração, e considero uma das melhores cabeças do país.
Atenciosamente,
Ary Carlos
UNIVERSO PARALELO
—
A ORELHA CORTADA E O GOL QUE NÃO HOUVE
Certos artistas são lembrados por um momento, uma curiosidade, uma circunstância: Van Gogh, por ter cortado a própria orelha e por vender, em vida, um único quadro – A vinha encarnada (foto); mesmo quem não é dado a jazz & blues sabe que Ray Charles era cego, e isso basta; também de Jorge Luís Borges não se precisa ler nada, mas é imperdoável desconhecer-lhe a cegueira; e Pelé (embora não seja, rigorosamente, um artista) foi muitas vezes celebrado pelo gol que não fez. Penso que essas situações poderiam integrar a lista daquilo que o gênio de Millôr Fernandes chama de “Ah, essa falsa cultura!” Entende.
FIRMINO ROCHA E O MENINO DO FUZIL
Autores são, volta e meia, vítimas da simplificação, passando a ser identificados por um só trabalho, não raro um detalhe, um ângulo desse trabalho. Essas referências, que contribuem para eclipsar o conjunto da obra, têm sido causa de irritação para muitas “vítimas”, que veem sua produção reduzida à expressão mais simples. São várias as situações em que o artista tem sua obra expressada por um item – um quadro, um disco, às vezes um verso, uma frase. Há poucos dias, citamos aqui o poeta itabunense Firmino Rocha, também ele atingido por essa “maldição”: sempre que se o cita, ouve-se uma referência ao poema “Deram um fuzil ao menino”. E só.MÃOS QUE AFAGAM TAMBÉM APEDREJAM
Conta-se que Raimundo Correa ficava de mau humor quando alguém o tratava como o autor de As pombas (“Vai-se a primeira pomba despertada…”) e João Cabral de Melo Neto (foto), já de si zangado, não costumava ser simpático com quem demonstrava conhecê-lo apenas pela leitura do poema Morte e vida severina. Há pessoas que jamais abriram um livro e, mesmo assim, citam, sem saber a origem: “Depois de um longo e tenebroso inverno” (Luiz Guimarães), “Última flor do Lácio inculta e bela” (Olavo Bilac), “A mão que afaga é a mesma que apedreja” (Augusto dos Anjos) e “Que seja infinito enquanto dure” (Vinícius de Moraes). Também sei de gente que reduz Valdelice Pinheiro a “Rio Cachoeira” (“Rio torto, rio magro, rio triste…”).A ELIPSE E A SEM-GRACICE DE MILÔR
Uma questão recorrente nesta coluna – a figura chamada elipse, que leva as pessoas a misturar os artigos definidos – teve um abono interessante, mesmo que nunca mais repetido, devido aos protestos que provocou. O nome do abonador, pasmem, é Luís Fernando Veríssimo. Com surpresa, leio no jornalista e filólogo Marcos de Castro (última edição de A imprensa e o caos na ortografia, uma de minhas leituras de cabeceira) que em 1997 o filho de Érico Veríssimo afirmou, em crônica no Jornal do Brasil, que Millôr Fernandes trabalhara “na Cruzeiro”. Millôr, que trabalhou na revista O Cruzeiro (e tem intolerância a bobagens) ficou sem graça.SIMÕES FILHO EM ESTADO APOPLÉTICO
Essa epidemia de elipse fere uma regra simples, que toda redação conhece (ao que vejo, conhecia): o artigo que está no nome do veículo dita-lhe o gênero. Assim, O Cruzeiro é usado no masculino, tanto quanto O Malho e O Tico-Tico (embora sejam revistas, o que lhes dá “aparência” de feminino). Já A Tarde, A Gazeta, A Região e A Crítica são femininos (esse nó na língua que se dá para chamar A Tarde de “o A Tarde” deixaria apoplético o eminente Ernesto Simões Filho). Procurei de lanterna mão e não encontrei um só texto em que se chame a Folha de S. Paulo de “o Folha…” ou A Gazeta de “o Gazeta”. Ainda bem que o ataque não é generalizado.PORTUGUÊS SEM “CONTORCIONISMOS”
Sobre a batatada de Luís Fernando Veríssimo (primeiro à esquerda, sentado), depois de dizer que “seu pai não faria o mesmo”, Marcos de Castro dá um exemplo, colhido “no admirável Solo de clarineta, de Érico Veríssimo”: “Quarta-feira era o meu dia mais esperado e feliz da semana, pois era às quartas que geralmente chegava a Cruz Alta o último número de O Tico-Tico”. O crítico nos chama a atenção para o fato de que por mais cinco vezes Érico se refere à revista na forma masculina, “sem fazer contorcionismos com o idioma”, mudando o gênero para o feminino. E conclui, com uma ponta de maldade: “O filho pode ser bom em saxofone, mas em clarineta o pai era melhor”.NO BALCÃO, QUEM DIRIA, A FRASE GENIAL
Quando inventaram o comércio, inventaram os caloteiros e, por consequencia, as frases que procuram afastá-los. “Fiado só amanhã” é uma das mais antigas e, por isso, o tempo já lhe subtraiu a graça que, por ventura, teve na juventude. Desconfio de que, menino (aconteceu há uns 300 anos, ai meu Deus!) eu já desgostava da mesmice na linguagem, tanto que me encantei com uma frase de genial economia de palavras (sobre vender fiado), que vi sobre um balcão de loja – e nunca mais a encontrei, por mais que a buscasse, nem mesmo nos arquivos da internet. Jamais esqueci a frase e, claro, o nome do seu autor, o italiano Paolo Mantegazza (foto).OS ARTISTAS NÃO SÃO FEITOS NA ESCOLA
Esse Mantegazza (1831-1910) não era um qualquer: foi neurologista, fisiologista e antropólogo, notável por ter isolado a cocaína da coca, que utilizou em experimentos, investigando seus efeitos psicológicos em humanos (“pesco” isto no Google). O velho italiano foi escritor de ficção e ainda encontrava tempo para produzir frases de efeito. “A escola pode aperfeiçoar o artista, criá-lo, nunca; não se melhora senão o que já existe”, é uma de suas pérolas. Outra: “A honra nunca existe por metade; inteira é forte, ferida está morta”. Faltou citar a minha preferida, primor de síntese para desestimular os velhacos: “Vendo, vendo; não vendo, não vendo”.VOZES OBLÍQUAS NA HORA DO SOL SE PÔR
Há murmúrios neste rio,vozes oblíquas me chamam; Cantigas de bem-me-quer entre rosas imaginárias.
Gemidos de superfície, do coração de Jandira; acenos de mãos franzinas entre brisas de luar. Senda do meu destino nesta hora tão antiga; uma saudade-ternura na hora do sol se pôr. Cachoeira, Itabuna, Jandira. Amor cravado em cruz.
SINAL DE DESENCANTO COM A LITERATURA
Autor de “Água corrente”, acima, Ariston Caldas (1923-2007) passou sua vida, principalmente, em Uruçuca, Itabuna e Salvador. Na região e na capital exerceu o ofício de jornalista, poeta e prosador. Trabalhou nos grandes jornais de Salvador e aqui do Sul, tendo participado de várias antologias de contos e poemas. Publicou cinco livros de poesia: Mar distante, A hora sem astros, Balada que vai e vem, Olho dágua e Dissipação, todos em edições mais ou menos artesanais, hoje difíceis de ser encontrados. Ariston (à direita da foto, ao lado de Jorge Amado – acervo de A Região) pareceu, em certo momento da vida, desencantado com a literatura, ficando mais de três décadas sem publicar. Curiosamente, um ano antes da morte voltou às livrarias, mas com um trabalho em prosa: Linhas intercaladas (Via Litterarum/2006).SARAH VAUGHAN, A DIVINA, TERÁ EXISTIDO?
A primeira vez que o som inusitado da voz de Sarah Vaughan entrou pelos meus ouvidos eu senti um impacto próximo ao delírio. E cheguei de imediato à conclusão de que aquela cantora não existia – seria uma invenção de técnicos desocupados, um desses “milagres tecnológicos” que sempre estiveram em moda. Na época, minha sensação era da impossibilidade de um canto tão perfeito; e hoje (tantos anos já passados) ainda às vezes penso que Sarah (chamada, com justiça, a Divina) nunca existiu de se ver e pegar, não é gente de carne e osso. O exemplo é sua interpretação de Someone to watch over me, de George (foto) e Ira Gershwin – os irmãos da ópera Porgy and Bess (1935), já citada nesta coluna.
LETRAS COM BOBAGENS ARREPIANTES
Someone… tem letra feminina e bobinha (como em geral as letras dos americanos). Fala de “procurar um certo rapaz que eu tenho em mente” (I’m going to seek a certain lad I’ve had in mind), com bobagens arrepiantes, como “Onde está o pastor para esta ovelha perdida (Where is the shepherd for this lost lamb)? Na versão “masculina” com Emílio Santiago (foto) ficou: “Eu sou um carneirinho perdido, arrependido e oferecido a alguém que olhe por mim” (Céus!). E antes que perguntem se Ira e George, com esse papo estranho, eram do reduto, respondo que não, ao menos que eu saiba – Cole Porter, contemporâneo deles, era quem jogava nessa posição. O que se notabiliza em Someone… é a melodia (de George), mais ainda com Sarah Vaughan, capaz de transformar em música até a lista telefônica de Constantinopla.O COMPOSITOR MAIS RICO DO MUNDO
George Gershwin está na calçada da fama de Long Island desde 2006 e é nome de teatro em Manhatan, em resposta à contribuição que deu a esse meio cultural. Aproveito e digo, só para quem ainda não sabe, que esse Gershwin (1898-1973), cuja fama encobriu o irmão e colaborador Ira, formou ao lado dos maiores compositores americanos – como Cole Porter (foto), Richard Rodgers, Irvin Berlin e outros. E também das maiores fortunas. Artista talentoso e com uma vocação atávica para ganhar dinheiro (era judeu-russo), se deu muito bem na vida: em 2005, o jornal The Guardian concluiu que, “estimando os lucros acumulados na vida de um compositor, Gershwin foi o compositor mais rico de todos os tempos”.COM VOCÊS, A DIVINA SARAH VAUGHAN!
Agora clique, se ajoelhe e esqueça, por escassos três minutos e meio, tudo o que ficou está lá fora. No fim, bata palmas – e se alguém estranhar, não ligue: o mundo está cheio de gente sem poesia.FÁBIO ACIONARÁ A TARDE
O deputado estadual Capitão Fábio (PRP) ficou “pê” da vida com a edição dominical d´A Tarde e decidiu acionar judicialmente a publicação. No fim de semana, o jornal da família Simões publicou matéria dizendo que o parlamentar estava fora da corrida eleitoral. A ação é por conta dos prejuízos à sua candidatura, que foi deferida ainda ontem pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
JORNAL “TIRA” CAPITÃO FÁBIO DA ELEIÇÃO DE 2010
Numa matéria sobre a evolução patrimonial dos deputados estaduais baianos que disputam a reeleição, o jornal A Tarde excluiu Capitão Fábio (PRP) e mais três colegas da disputa, sob o argumento de que eles “não são candidatos neste ano” (confira aqui).
Nem a assessoria nem o candidato foram encontrados para comentar a informação. Até o início desta semana, Fábio ainda mantinha agenda de campanha e encontros no sul da Bahia.
O SILÊNCIO DO GREENPEACE
Essa vem do Tempo Presente, coluna d´A Tarde assinada por Levi Vasconcelos.
Audiência pública sobre o Porto Sul (a ser construído em Ilhéus) ontem na Comissão de Meio Ambiente da Câmara, em Brasília. Os ambientalistas batiam pesado, quando o deputado federal Colbert Martins tomou a palavra:
- Há um mês vaza óleo no mar dos EUA, e não vejo os ambientalistas marcharem na porta do Capitólio. Se fosse no Brasil, o Greenpeace já teria colocado cocô nas portas de todos os ministérios da Esplanada.
Os ambientalistas não deram um piu.
ESPERTINHOS NEM SEMPRE SE DÃO BEM
O jornal A Tarde acaba de demitir um funcionário que utilizava dados sigilosos da empresa para fazer compras em cartões de crédito de clientes do maior diário do norte/nordeste. Rodrigo Soledade, autor do golpe, trabalhava no setor de assinaturas.
De posse do código de segurança de cartões de crédito de clientes da publicação, Rodrigo danou a fazer compras, sempre por telefone. Nesta modalidade de negociação, bastava ao golpista informar os dados dos clientes (além do cartão com o código de segurança) para adquirir o produto desejado.
Em um dos golpes, o prejuízo chegou a R$ 507,00. Rodrigo usou o cartão de uma das vítimas para comprar HD (disco rígido de computador) na empresa de catálogo Hermes. Essa compra, como as outras, foi feita por telefone.
A polícia desvendou o golpe com a ajuda da Hermes, da operadora do cartão e do jornal. O golpista deixou pegadas: utilizou o próprio nome e endereço residencial como destino final da compra.
Em tempo: o jornal, além de demitir o funcionário malandro, também tratou de ressarcir as vítimas do golpista.
TJ-BA DERRUBA LIMINAR QUE IMPEDIA A TARDE DE CITAR DESEMBARGADOR
Raul Monteiro | Política Livre

Rubem Dario não queria ser ligado a venda de sentenças (Foto Max Haack/Bahia Notícias).
A desembargadora Rosita Falcão concedeu liminar a agravo de instrumento interposto pelo jornal A Tarde contra liminar que impedia o veículo de comunicação de citar o desembargador Rubem Dario em reportagens a respeito de processo que apura venda de sentenças no Tribunal de Justiça da Bahia.
A liminar havia sido concedida ao desembargador por um juiz de primeira instância do TJ. O nome de Dario teria aparecido em conversas telefônicas de um filho seu gravadas pela Polícia baiana no bojo de uma operação denominada Janus, que prendeu advogados acusados de negociar sentenças com juízes no Judiciário.
Esta semana, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou o afastamento de duas juízes acusadas no mesmo processo que haviam sido absolvidas pelo Tribunal baiano. Apesar da péssima imagem do Judiciário baiano, a decisão da desembargadora Rosita Falcão não surpreende.
Ela é considerada por advogados como uma das reservas morais do TJ. Sua decisão baseou-se na defesa do princípio da liberdade de imprensa, citado oportunamente pelo jornal A Tarde para pedir a revogação da liminar surpreendentemente concedida a Rubem Dario.


