“VIEIRA MANDOU ESCONDER MEDICAMENTOS VENCIDOS”, DIZ CHEFE DO ZOONOSES
Nailton Silva Almeida, chefe da Divisão de Zoonoses da prefeitura de Itabuna, não agüentou o tranco. Depois de ser vítima de várias matérias e denúncias por não fazer o seu trabalho, já que os animais soltos pela rua se multiplicavam, ele decidiu deixar o polpudo salário para manter sua honra, segundo afirma ao Pimenta. Vai entregar o cargo nessa sexta-feira, 4.
Explica-se. Nailton, um dos muitos colaboradores da campanha de Azevedo, foi mandado para a Zoonoses, o que ele aceitou numa boa. Antes, no governo de Fernando Gomes, era chefe do Caps.
O problema foram os rumos – ou a falta de – que o governo adotou. “O governo não me deu respaldo algum. Nunca tivemos condições de fazer o trabalho, e só víamos nosso nome ser enxovalhado nas ruas, na imprensa”. Mas essa é apenas a parte ‘administrativa’ da história.
“O Centro de Zoonoses é um depósito de remédios vencidos, que a prefeitura não distribui à população. Contra a dengue, por exemplo, são muitos. Todos escondidos lá, a mando do secretário da Saúde, Antônio Vieira, e do chefe da Vigilância à Saúde, Florentino Filho”.
Muito mais, na entrevista a seguir.
O Pimenta, assim como parte da imprensa itabunense, denunciou várias vezes o seu trabalho. Os animais não eram retirados das ruas e até causaram acidentes. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Nós passamos quatro meses sem uma carroça e sem a Hilux [picape usada para puxar a carrocinha que recolhia os animais das ruas]. Nesse período, nem um detergente entrou no centro. Nada. Nosso freezer, que era usado para congelar os animais sacrificados antes de serem levados para o descarte no lixão, quebrou e não foi consertado.
Hoje, após a eutanásia, os bichos se decompõem lá mesmo, até a chegada do carro da Marquise, para fazer o recolhimento. Ou seja, nunca tivemos condições de fazer o trabalho.
O senhor falou em eutanásia. Essa é a recomendação ou o sacrifício lá é feito por conta própria e indiscriminadamente?
Veja bem. Animais que estão com doenças transmissíveis ou em estado terminal, são sacrificados. Mas veja o que acontecia em Itabuna há até um mês, antes da chegada de uma veterinária, que está tratando dos animais. Todos os animais doentes recolhidos das ruas (cães e gatos, principalmente), eram sacrificados. Se chegasse lá com o pêlo caindo, recebia a injeção letal. Eram de 10 a 12 animais sacrificados ao dia.
Temos informações de que o canil e outras dependências do centro são totalmente insalubres. Como o senhor descreveria as condições de higiene e segurança do local onde esses animais são sacrificados ou mesmo onde eles ficam durante o tratamento?
São péssimas condições de trabalho. Péssimas. Funcionários trabalham sem proteção, sem luvas, sem máscaras. São condições insalubres, perigosas, mesmo.
São quantos funcionários?
Dois, que cuidam do canil, do gatil e do local onde ficavam os outros animais de grande porte.
“Se chegasse lá com o pêlo caindo, recebia a injeção letal. Eram de 10 a 12 animais sacrificados ao dia”
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E esses outros animais, onde estão sendo guardados agora?
Ah, agora a Settran pega nas ruas e leva para a Adei, ficam num cercadinho que fizeram lá. Eles estão dizendo que esses animais são levados para a Zoonoses. Não são. Quando ainda estão na Adei, a nossa veterinária vai lá, classifica, ferra e depois eles são levados para a fazenda de ‘Alvinho’ [Álvaro Catarino], coordenador do Samu.
Por que o trabalho do Zoonoses só aparecia em notícia ruim?
Tentei trabalhar e não tive apoio do secretário da Saúde, Antônio Vieira, nem do diretor da Vigilância Epidemiológica, Florentino Filho. Esse é um zero à esquerda.
“São medicamentos que eram para ser entregues à população nos postos de saúde, mas não são distribuídos”
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O senhor falou, antes da entrevista, que vários medicamentos que deveriam ser entregues à população, foram descartados no Centro de Zoonoses. Fale sobre esses medicamentos.
São medicamentos que eram para ser entregues à população nos postos de saúde, não são distribuídos, têm os prazos de validade vencidos e eles levam pra lá, para transformar em remédios para animais. Às vezes, até humanos tomam desses medicamentos, com prazos de validade vencidos.
Qual deveria ser a destinação desses medicamentos?
Deveriam ser incinerados.
E lá no centro tem incinerador?
Não tem incinerador nem teve autorização de ninguém para que… Mandaram só esconder esses medicamentos.
Esconder?
Esconder.
“Quem fiscaliza é a Vigilância Epidemiológica, que é quem encaminha os medicamentos pra lá”
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Vamos só fazer uma recapitulação. O senhor está falando que medicamentos, que são adquiridos por meio de convênios com o Ministério da Saúde, não são distribuídos à população e, quando ficam vencidos, o secretário da Saúde pede para que os escondam no centro de zoonoses.
Isso mesmo. Pede ao setor de Vigilância à Saúde, que fica a cargo de Florentino. Este, por sua vez, manda os medicamentos pra lá para que sejam escondidos. Vieira o manda e ele, por sua vez, nos manda esconder tudo.
Pelo que o senhor nos descreveu das condições do lugar, que não seria seguro nem agradável aos seres humanos, e não tem incinerador, esses medicamentos estariam, ao juízo dessas autoridades, num lugar perfeito para ficarem longe dos olhos da população e da imprensa.
Quem fiscaliza é a Vigilância Epidemiológica, que é quem encaminha os medicamentos pra lá. Nunca vai ter fiscalização, né?
O senhor está deixando um cargo que lhe garante uma boa remuneração. Por outro lado, o que se percebe é que isso ocorre depois que os animais começam a ser retirados da rua pela Settran…
Pois é. O secretário Wesley Melo virou o artista de cinema que manda na parada. Mas ele está com quatro motos, está com um Uno, com um carro-gaiola e com a polícia, na captura de animais. Aí, é muito bom. Nós não tínhamos nada disso. E o meu nome na imprensa era só levando porrada. E o secretário da Saúde nunca tomou paternidade de nada.
E sua atitude então foi…
Minha atitude é pedir demissão do cargo. Porque eu não tenho condições de continuar, estou vendo meu nome ir pra rua como incompetente. Porque, se falar, vai ser posto fora. Você tem que ser desmoralizado, engolir isso, e depois vem o outro, que não tem nada a ver, para ir pra rua [fazer o trabalho]. Primeiro, o prefeito pediu que ele [o secretário Wesley Melo] me desse suporte. Só que o suporte era de transporte, carro e a carretazinha para pegar os animais. Agora, ele me dar aula de administração, não aceito.
Antes do centro de zoonoses, o que o senhor fazia?
Sou formado em Economia. Fiquei à frente do Caps, no governo de Fernando Gomes, por quatro anos. Também fui funcionário da Embasa, da Ceplac. No Caps, fiz um trabalho que todos lá reconhecem, porque eu tive apoio do governo, do secretário da Saúde. Mas, hoje, o secretário da Saúde não ajuda ninguém. O Florentino, que se diz doutor, é um bioquímico, que nunca foi doutor em lugar nenhum, é um zero à esquerda.
Pra resumir: renuncia ao cargo, ao salário de chefe de divisão, para manter a honra.
Para manter a honra. Pra mostrar que eu sou Nailton. Porque, se eu ficar nesse jogo de empurra, eu vou compactuar com ele e me tornar inoperante perante qualquer trabalho público. E eu não quero isso.





Este e o retrato da nossa cidade, governo franco, incompentente, sem autoridade. Itabuna está de parabéns, próximo dos 100 anos, com uma administração medíocre, é sujeira, buraco, praças sujas, capim, mato em toda á cidade, além do título de cidade violenta, campeã de mosquito da dengue. Parabéns capitão, a herança maldita de cuma!